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Mostrando postagens de Maio, 2016

É de confundir!

É de confundir!
(“A s’y meprendre!”, 1883)
AUGUSTE VILLIERS DE L’ISLE-ADAM

Numa cinza manhã de novembro, eu ia descendo pela beira do rim em passo apressado. Uma garoa fria molhava o ar. Passantes negros, abrigados em guarda-chuvas disformes, se entrecruzavam. O Sena amarelado carregava seus barcos de mercadorias parecidos com besouros. Nas pontes, o vento fustigava bruscamente os chapéus, cujos donos lutavam com o espaço para salvá-los, fazendo aqueles gestos e contorções sempre tão penosos para o artista.
Minhas idéias eram pálidas e brumosas; a preocupação de um encontro de negócios, aceito na véspera, atazanava minha imaginação. O tempo era curto: resolvi me abrigar debaixo da marquise de um portão, de onde seria mais cômodo fazer sinal para um fiacre.
Na mesma hora notei, bem ao meu lado, a entrada de um prédio quadrado, de aparência burguesa.
Ele tinha se erguido na bruma como uma aparição de pedra, e apesar da rigidez de sua arquitetura, apesar do vapor sinistro que …