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Mostrando postagens de Novembro, 2014

Rei Jeremias, o perverso.

Lá estava ele, ajoelhado no banco do trem. As mãozinhas gordas, forçavam a janela para baixo, tentando abrí-las, para que pudesse por a cabeça para fora, ou para que sentisse o vendo no rosto.
Fazia um choro birrento para que o pai o ouvisse. Para que atendesse às suas vontades. As lágrimas escorriam pela bochecha rosada e gorda.
O Pai pareceu-me um cara rabugento. Desses pais que perderam o dom de ser pai para a "modernidade" da vida. A necessidade do emprego, do dinheiro, da posição social. Pareceu-me bravo. Carrancudo. Sem paciência com o filho que nesse momento aumentava o drama.
Virou sobre os chinelos, apoiados no banco, e pediu ao pai que comprasse o doce. Sem muita vontade ele atendeu.
Ao mesmo tempo que achei graça no menino gordo forçando a janela, me trouxe tristeza vê-lo chorando para ter um doce. Senti tristeza por imaginar que ele ainda não tinha condições de satisfazer as vontades e o pai parecia não ligar para elas. Reparei rosto do garoto. Parecia um tipo br…