Pular para o conteúdo principal

Futebol é o ópio do povo?

Eu não sou um fã do futebol, nunca me importei muito com ele e já expliquei isso em "Até onde o futebol me importa". Esse desapego origina-se no ao fato de que eu associava o futebol a tão falada política do "Pão e Circo" e também ao fato de querer ver outros esportes terem maior atenção.

Com a proximidade da copa há uma vertente (em pequena escala, mas que faz se parecer gigante) de atacar o futebol, de desprezá-lo, grita-se o fato de um professor receber uma salário menor que o do Neymar, diz-se que o futebol aliena e o coloca como culpado por todos os nossos problemas e junto com ele a Copa.

Esse extremismo contra o futebol me incomodou tanto quanto o extremismo a favor, pois o futebol é uma característica cultural do brasileiro e é o seu maior entretenimento e condenar o futebol, exigir o seu banimento, é uma forma de querer anular ainda mais as culturas populares, retirar outro teco da nossa identidade, características já tão escassas no Brasil, exacerbando nosso "Complexo de Vira-lata", definido por Nelson Rodrigues na frase abaixo.
"o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima"
Se colocado da forma correta - como uma forma de entretenimento e não como a única forma, nem como a única coisa que importa - o futebol tem excelentes paralelos com nosso dia-a-dia e nossa política.

Uma excelente observação a ser feita é o quanto um bom líder, um bom gestor, pode nos levar ao sucesso: a seleção brasileira vinha apresentando resultados pífios sob a liderança do técnico Mano Menezes, até que ele foi substituído no final de 2013 pelo Luis Felipe Scolari (o Felipão). Em 6 meses Felipão conseguiu mudar completamente o desempenho da seleção, conquistando a Copa das Confederações. Esse exemplo se repete nos clubes, nas presidências dos clubes e para além deles, na gestão privada e pública.

Outro ponto a ser levantado é que estudos comprovam que o resultado da seleção na Copa do Mundo não afeta o cenário político:

  • 1970, Seleção ganhou: Governo Militar foi retirado; 
  • 1998, Seleção perdeu na França: FHC reeleito; 
  • 2002, Seleção ganhou no Japão/Coreia: FHC não foi reeleito e o Lula venceu;
  • 2006, Seleção é derrotada na na Alemanha: Lula reeleito;
  • 2010, Seleção perde outra vez na África do Sul: Dilma (do mesmo partido do Lula) é eleita.

Em 2014 a Copa traz o novo fato de ocorrer no Brasil, então apesar de a seleção não estar relacionada ao cenário político, não sei traçar um paralelo quanto a organização do evento e ações relacionadas a ele, que são indicadores diretos da capacidade dos governos atuais.

O que falta é envolvimento para que as coisas sejam feitas da forma correta, eu já disse que "Manifestar-se é um início, mas não é o agente de mudanças". Pois só nos momentos finais que as manifestações foram feitas e parece que apenas uma parte está contra a Copa no Brasil e portanto ela será uma realidade. Sempre disse que já recebi convite para inúmeras manifestações, mas só agora recebi um convite de um amigo para um grupo de idéias, o que me leva a entender que essas pessoas querem aparecer e não se importam muito em melhorar nossa sociedade.

Para encerrar, não considero o futebol o vilão de todos os nossos problemas, pelo contrário acredito que ele pode nos dar paralelos muito interessantes e nossos problemas são sim resultado direto de nossas ações, como no paralelo que fiz com as manifestações em Kiev; Eu acredito que temos outras prioridades além da Copa, mas não devemos ser tão singular a ponto de focarmos apenas em um tema, principalmente se não o fizemos no passado.

O Neymar é um garoto propaganda, que vende produtos através do futebol, para milhões de pessoas, nos momentos que ele aparece algo pouco além de 90 minutos, acho um absurdo o salários dos jogadores, mas é comércio. Um professor é uma categoria que envolve muitos profissionais (talvez milhões) que trabalham  com educação para um número centenas de pessoas. A comparação do salário, apesar de muito bem vinda, não é "honesta".

Realmente, culpa de o Neymar ser mais importante que um professor, não é dos governos, é nossa!  


por: Conrado Tramontini
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha

Na semana passada, um conflito entre polícia e moradores da favela Paraisópolis em São Paulo, virou notícia. Segundo os jornais "a morte do traficante e ladrão Marcos Purcino, de 25 anos, durante uma troca de tiros com policiais militares no domingo à tarde, desencadeou a revolta de moradores da favela. Segundo o chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-5 (CPA/M-5), coronel Danilo Antão Fernandes, o protesto foi causado pela morte de Purcino, um foragido da Justiça com duas condenações por roubo".

Isso só me faz lembrar da citação atribuída a Victor Hugo "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha"

ou a citação completa:

A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena a morte as ovelhas. (Victor Hugo)


por: Conrado Tramontini

Panis et circensis

Eu fico assombrado com o poder da mídia e a sinergia de pensamentos motivados por acontecimentos. Dia desses estava pensando em um texto justamente sobre o poder de influência da mídia sobre as atitudes e o comportamento na sociedade e sobre o papel que ela desempenha no que é conhecido sobre "política do pão e circo" muito em voga no Brasil atualmente - inclusive hoje enviei um e-mail com esse enfoque para a revista Veja, mas isso não vem ao caso. Enfim, o que observo é que as novelas, os filmes, os shows, as micaretas, as "baladenhas", o futebol, tudo isso nos aliena dos demais fatos em nossa sociedade. Ficamos tão entretidos com nossa diversão (aqui talvez exista um pleonasmo) que somos desviados do que acontece no resto do mundo - por resto do mundo, me refiro a 100 metros de onde estamos - e isso cria um lugar ideal para a proliferação de fungos, bactérias e pessoas desonestas, a base para a permissividade toma conta do país.
Não vejo isso com…

Meu pedido de noivado.

Não há melhor forma de manter uma memória que a escrever, e não recordação mais precisa, porém efémero, que nossa memória. Recordo-me de sentir a expectativa pela abertura das cortinas que se assomava dentro do teatro e pela qual eu já estava acostumado. Eu estava ansioso por outra coisa repetidamente colocava a mão em meu bolso para sentir o canto do metal em meus dedos e então voltava para ajustar a câmera fotográfica. Eu ainda tinha dúvidas se deveria realmente fazê-lo da forma que eu estava premeditando. Até aquele momento ninguém sabia, somente eu. Chequei os bolsos mais algumas vezes. A decisão de agir já estava tomada havia algum tempo. Sim, eu iria pedi-lâ em casamento, mas quando, como e onde foram respostas que vieram depois, com algumas sugestões sutis. Acho que uma primeira sugestão foi quando estava assistindo, descompromissado, um reprise de Friends e o Ross e a Rachel invetam uma história sobre um pedido de noivado e depois ele conta como teria feito o pedido e ele descre…