Pular para o conteúdo principal

Queriam fazer ou só querem aparecer?

Andei pensando muito sobre os atuais protestos.

Sobre a Copa, tivemos 6 anos para falar algo sobre isso, para nos manifestar, mas ficamos todos parados. Eventualmente tinhamos alguma bravata aqui e ali e uma indignação, mas nunca algo conseguimos mais do que 200 pessoas na rua, nunca conseguimos nada real.

Falando sobre transporte público, desde Janeiro o aumento foi anunciado, ele aconteceu. Tivemos possibilidade de greve de metroviário solicitando aumento salarial que implica diretamente na passagem e ninguém fez nada. No meio dos protestos tivemos greve da CPTM e ninguém fez nada. Só reclamou ao vento. O movimento Passe Livre nasceu ontem? Onde ele estava?

Agora, 6 anos depois, agora que tudo está pronto, agora que as Copas vão acontecer e as TVs do mundo todo olham para nós, grupos e organizações saem as ruas de forma anárquica, com rojões, paus, combustível e pedras em suas mochilas.

Pacífico? Não era, desde o início.

Há muito tempo eu falo a respeito disso e ninguém se mobilizou. Agora que a UNE, PSTU, Movimento Passe Livre e tantos outros movimentos muito cientes de tudo isso resolve agir?

Por que não foram antes a Prefeitura, a sede do Governo, ao MP, a Assembléia, a Camara, a Brasilia para o diabo ter? Cadê pauta?

Eu não quero marchar ao lado desse movimentos reativos, tardios, pirotécnicos e exibicionistas, que poderiam ter feito e não fizeram. Qual o motivo: Medo ou Preguiça?

Sou do povo, estou propondo algo ao povo e do povo.
o desse movimentos reativos, tardios, pirotécnicos e exibicionistas, que poderiam ter feito e não fizeram (medo ou preguiça?)

"Vamos mudar o País" dirão. Ótimo, isso tem que ser feito. Mas esse movimento que vimos na última semana pretende fazer isso em que direção? Para melhor ou pior? Quem são eles? Quais bandeiras eles carregam?

Eu quero mudar para melhor e isso não é só sair e marchar na rua pedindo redução da Tarifa. O prefeito poderia muito bem aumentar o subsídio, pago com impostos, reduzir a tarifa e tudo bem? É isso que queremos, dar mais dinheiro de impostos para um setor que não entrega com qualidade, ou queremos mais qualidade no preço correto?

Eu não ligo de pagar pelo serviço que uso, aliás prefiro assim, do que ter isso subsidiado pelo governo. Nada que é subsidiado avança, pois não tem concorrência, não tem métricas reais.

Já retiramos do poder um presidente que não estava de acordo com nossa ideologia, imagina se não conseguiremos melhorar nossa qualidade de vida.

"Há mas os caras pintados foram manipulados pela mídia" dirão. Que mídia? quem é a mídia? Todos os repórteres, jornalistas, escritores, âncoras, todos eles fazem um conluio a meia-noite escondidos em algum lugar para combinar o rumo do país? Tem eles realmente esse poder, ou dizem isso apenas para poder culpar uma força maior? É quase como dizer "foi porque Deus quis assim". Vamos continuar acreditando no comportamento "matem o mensageiro"? Se ontem a mídia era grande e miscigenada, imagina hoje. Hoje até eu sou a mídia.

Por fim, não vou marchar ao lado desses que aí estão organizando, apenas se aproveitando do momento, desses que tinham condições, que poderiam fazer e nada fizeram.

Marchemos sim, mas ao lado do povo que a eles se uniu, em direção a melhorar não apenas bravatear. Sou do povo, estou propondo algo ao povo e do povo. Não vou ficar chorando o leite derramado da Copa, nem quero aparecer para a TV mundial. Quero mudanças reais, corretas e efetivas.

Vamos participar mais da sociedade,  vamos pensar, entender, chegar aos políticos (Adote um vereador), propor, impor e marchar sempre que necessário. Reparem que há uma sequência crescente. Se todos conconrdarem que acabou a hora de propor e cobrar coisas como investimento e fim da corrupção (como eu acho) e que seja a hora de marchar, que marchemos então, mas ainda sim precisaremos do diálogo para ter resultado. 

por: Conrado Tramontini
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha

Na semana passada, um conflito entre polícia e moradores da favela Paraisópolis em São Paulo, virou notícia. Segundo os jornais "a morte do traficante e ladrão Marcos Purcino, de 25 anos, durante uma troca de tiros com policiais militares no domingo à tarde, desencadeou a revolta de moradores da favela. Segundo o chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-5 (CPA/M-5), coronel Danilo Antão Fernandes, o protesto foi causado pela morte de Purcino, um foragido da Justiça com duas condenações por roubo".

Isso só me faz lembrar da citação atribuída a Victor Hugo "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha"

ou a citação completa:

A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena a morte as ovelhas. (Victor Hugo)


por: Conrado Tramontini

Meu pedido de noivado.

Não há melhor forma de manter uma memória que a escrever, e não recordação mais precisa, porém efémero, que nossa memória. Recordo-me de sentir a expectativa pela abertura das cortinas que se assomava dentro do teatro e pela qual eu já estava acostumado. Eu estava ansioso por outra coisa repetidamente colocava a mão em meu bolso para sentir o canto do metal em meus dedos e então voltava para ajustar a câmera fotográfica. Eu ainda tinha dúvidas se deveria realmente fazê-lo da forma que eu estava premeditando. Até aquele momento ninguém sabia, somente eu. Chequei os bolsos mais algumas vezes. A decisão de agir já estava tomada havia algum tempo. Sim, eu iria pedi-lâ em casamento, mas quando, como e onde foram respostas que vieram depois, com algumas sugestões sutis. Acho que uma primeira sugestão foi quando estava assistindo, descompromissado, um reprise de Friends e o Ross e a Rachel invetam uma história sobre um pedido de noivado e depois ele conta como teria feito o pedido e ele descre…

Dia da Consciência Negra e o banco Imobiliário da vida real.

No final desse domingo chuvoso, uma atitude do meu pai - um filho de italiano e mameluco, um tanto cabeça-dura a modismos e assuntos rasos e outro tanto extremamente inteligente e humano a assuntos mais complexos - gerou uma excelente reflexão sobre o real problema relacionado a etnia / distribuição de recursos (não vou falar renda pois não se trata de comprar ou não um iPhone).

O texto dele dizia:

É domingo. 22.16 horas. Está frio e garoa. Pela câmera da rua vejo uma pessoa empurrando um carrinho cheio de papelão. Lembro das antenas de alumínio de VHF que troquei pelas digitais. Penso, quem quer que esteja trabalhando domingo a essa hora sob garoa procurando latinhas de alumínio merece ajuda.  Abro o portão, a rua está deserta, grito para a pessoa: Hei, quer alumínio? Ele sob a rua e para em frente ao meu portão. É jovem e negro. Vou até o fundo do quintal e pego as antenas. Elas não passarão pelo vão do portão. Muitos teriam receio mas vou até a sala e abro o portão automático. Entr…