Pular para o conteúdo principal

As vontades do rei.

Hoje tenho conhecimento das respostas de minhas perguntas mais imediatas. Sobre quem sou e o que vou cobrar de mim no fim dessa vida.

Vou viajar, viajar o mundo. Arder sob o escaldante sol africano e fazer fotos sobre a fauna. Partir de um porto na Bahia e registrar os grandes mamíferos e depois me ralar em penhascos carregando quilos de equipamentos nas costas. Buscar e realizar ações ambientais e sociais. Vou prometer tudo isso e fazer apenas um terço.

Vou ser acordado as 2h da manhã por um amigo, em Londres, que queria só mandar um abraço, me divertir com outro que se meteu numa espelunca em Salvador. Viajar com amigos para a praia.

Sorrir para aquela criança sentada sozinha em uma mesa, fazendo um desenho, que me faz lembrar de mim mesmo, e deixar os olhos encher de água. E, por eu ser exageradamente sentimental, eles vão se encher assim todas as outras vezes que eu me lembrar do garoto e você nem vai saber disso.

Vou chegar em casa desarrumado, após um dia terrível no trabalho e encontrar você esparramada no sofá já de camisola e com um sorrisinho sacana caçoar da minha barba enquanto mordisca meu queixo. Você que vai reclamar do meu omelete enquanto ainda não saiu da cama e me cobrar de muitas coisas. Você vai fazer o dia valer enquanto fica cada vez mais irritada com as minhas provocações. Vou odiar suas crises e ainda sim, bobo que eu sou, vou ficar todo dia apaixonado.

Vamos cozinhar juntos - digo, você vai cozinhar, enquanto eu bebo cerveja, faço fofocas que fazem você rir, beijo seu ombro e faço mulecagens - para almoços para nossos amigos.

Vou pedir desculpas e me arrepender centenas de vezes e te desculpar outra centena, e bobos que somos, vamos ficar todos os dias apaixonados.

Vou viver plenamente a minha vida, vou tentar ser quem meu cachorro sempre pensou que eu fosse - e falhar miseravelmente - e ele ainda vai ficar no sofá dormindo comigo, acreditando que sou aquele cara, enquanto você e as crianças foram viajar...

Sim, teremos filhos, e para nosso desespero, eles serão a personificação da nossa personalidade - para ser exato serão como Calvin e Haroldo!

Por Conrado Brocco Tramontini.

Postagens mais visitadas deste blog

Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha

Na semana passada, um conflito entre polícia e moradores da favela Paraisópolis em São Paulo, virou notícia. Segundo os jornais "a morte do traficante e ladrão Marcos Purcino, de 25 anos, durante uma troca de tiros com policiais militares no domingo à tarde, desencadeou a revolta de moradores da favela. Segundo o chefe do Comando de Policiamento de Área Metropolitano-5 (CPA/M-5), coronel Danilo Antão Fernandes, o protesto foi causado pela morte de Purcino, um foragido da Justiça com duas condenações por roubo".

Isso só me faz lembrar da citação atribuída a Victor Hugo "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha"

ou a citação completa:

A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena a morte as ovelhas. (Victor Hugo)


por: Conrado Tramontini

Panis et circensis

Eu fico assombrado com o poder da mídia e a sinergia de pensamentos motivados por acontecimentos. Dia desses estava pensando em um texto justamente sobre o poder de influência da mídia sobre as atitudes e o comportamento na sociedade e sobre o papel que ela desempenha no que é conhecido sobre "política do pão e circo" muito em voga no Brasil atualmente - inclusive hoje enviei um e-mail com esse enfoque para a revista Veja, mas isso não vem ao caso. Enfim, o que observo é que as novelas, os filmes, os shows, as micaretas, as "baladenhas", o futebol, tudo isso nos aliena dos demais fatos em nossa sociedade. Ficamos tão entretidos com nossa diversão (aqui talvez exista um pleonasmo) que somos desviados do que acontece no resto do mundo - por resto do mundo, me refiro a 100 metros de onde estamos - e isso cria um lugar ideal para a proliferação de fungos, bactérias e pessoas desonestas, a base para a permissividade toma conta do país.
Não vejo isso com…

Meu pedido de noivado.

Não há melhor forma de manter uma memória que a escrever, e não recordação mais precisa, porém efémero, que nossa memória. Recordo-me de sentir a expectativa pela abertura das cortinas que se assomava dentro do teatro e pela qual eu já estava acostumado. Eu estava ansioso por outra coisa repetidamente colocava a mão em meu bolso para sentir o canto do metal em meus dedos e então voltava para ajustar a câmera fotográfica. Eu ainda tinha dúvidas se deveria realmente fazê-lo da forma que eu estava premeditando. Até aquele momento ninguém sabia, somente eu. Chequei os bolsos mais algumas vezes. A decisão de agir já estava tomada havia algum tempo. Sim, eu iria pedi-lâ em casamento, mas quando, como e onde foram respostas que vieram depois, com algumas sugestões sutis. Acho que uma primeira sugestão foi quando estava assistindo, descompromissado, um reprise de Friends e o Ross e a Rachel invetam uma história sobre um pedido de noivado e depois ele conta como teria feito o pedido e ele descre…