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Como eu já disse, racismo é burrice.

Entrei no site da Veja para escrever duas cartas a Veja (sim, como o vovô Simpson fazia para a revista noivas!), uma sobre a menção de que era um erro sobre as Termópilas (sim, eu tô achando que sou historiador) e outra sobre a fraca menção de que os controladores de vôo estavam se fazendo observar os padrões de tempo para sua profissão. Mas mudei de idéia ao ver a frase mostrada na figura abaixo:



Abaixo, segue o texto que enviei a Veja (e possivelmente será exclusividade deste blog).

A infeliz frase "A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem a obrigação de gostar de quem o açoitou" dita pela Matilde Ribeiro, tem o mesmo efeito do açoite dado por brancos a quase 500 anos atrás. É praticamente um convite ao que eu chamo de "Apartheid às avessas". Uma expressão exagerada claro, mas que eu uso para mostrar como movimentos para combater o racismo fazem justamente o contrário. Não me lembro de ter açoitado ninguém, em sentido literal ou figurado, a minha vida inteira. Sou descendente de Negro, Índio, Italiano e Espanhol com a derme branca. Segundo essa frase, uma pessoa de derme negra pode não querer conviver comigo que ele está em sua completa razão. Ou, caso eu tivesse estudado na mesma escola pública que uma pessoa de derme negra, eu não teria o mesmo direito a cota na universidade, pois eles separam por "cor", assim como acontecia no Apartheid. Isso não é combater o racismo e sim incentivar a segregação racial.


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Editado em: 28/03.

Hoje, algum(ns) idiota(s) atearam fogo em um apartamento de estudantes africanos na Universidade de Brasília. Não é, certamente, um fato isolado de preconceito movido por pessoas desprovidas de um cérebro.

Esse é o resultado de anos de incentivo a segregação racial que frases e políticas como essas incitam.
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