15 de fevereiro de 2015

As pré-pessoas e o aborto.

A discussão de temas extremos e polêmicos tem ganhado força dentro da nossa sociedade, ao que eu atribuo uma tendência ao conflito, ao choque de idéias como uma guinada drástica na sociedade atual.

Um desses temas é o aborto, que tem tido uma oportunidade de ser apoiado ou criticado nas redes sociais, como uma lista de razões pró e contra, religiosos ou não-religiosos, de mães e não-mães.

O aborto é a interrupção de uma gravidez de forma voluntária através de diferentes técnicas, ou involuntária causado pelo organismo.

O que tem me chamado a atenção é que o aborto é o que eu chamo (intencionalmente) de "a solução final" para um problema que começou lá atrás e antes de falarmos sobre o aborto, precisamos falar sobre o que levou a aquela gravidez e para mim, é isso que deve ser tratado primeiro.

A lei brasileira já preve o aborto em casos de violência sexual e risco para a mulher, então quais são as razões que o movimento pró-aborto usa? Justamente a gravidez indesejada originada por um envolvimento inconsequente ou não planejado.

Sim, o corpo é da mulher, ela tem o direito de fazer com ele o que quiser, ceder aos desejos sexuais e sua líbido assim como o homem sem ser condenada por isso, assim como o homem, mas ambos tem a responsabilidade de arcar com as consequências disso. O problema é que o organismo da mulher é diferente do homem e é ela quem engravida, então a mulher infelizmente ou felizmente tem uma responsabilidade e um diferencial orgânico diferente.

Há uma forte sexualização em nossa sociedade, como uma capsula do amor colocada pela marca de preservativos Durex, no carnaval de Salvador e as pessoas precisam sim ter mais responsabilidade sobre isso e os seus atos. Então enquanto o homem pode ser imbecil e inconsequente e passar por isso sem ônus em seu organismo na maioria das vezes - e digo na maioria, pois existem as DSTs - a mulher pode sofrer com uma gravidez indesejada e não planejada.

Levando a mesma linha de raciocínio do corpo é da mulher, o corpo do feto é do feto. Haveria a mulher o direito de escolher sobre o feto?

Por isso eu acredito que antes de falarmos sobre o aborto precisamos falar sobre essa sexualização da nossa sociedade, sobre o ímpeto sexual, sobre o quanto o homem pode ser imbecil e abandonar a mulher sozinha com a consequência de um ato a dois.

O livro "O Pagamento" de Philip K. Dick,  taz o conto "As Pré-Pessoas", que mexe nesse vespeiro que é o aborto, abaixo descrevo o texto de Jocimar Oliani sobre o conto.
No mundo populoso de "As Pré-Pessoas", o aborto é permitido... com o detalhe que é um aborto *pós*-parto, ou seja, uma criança pode ser abortada *depois* de ter nascido... na verdade, se você for menor de 12 anos e não tiver um documento que afirma que seus pais o querem, você pode ser pelo caminhão da Instituição Municipal e levado para um lugar que, se apos 30 dias ninguém o adotar, você será morto... porque pela lei você não tem alma - que só existe em pessoas com 12 anos para cima e/ou capazes de matemática superior. Enquanto Ian Best sonha em levar seu filho Walter para longe dali e de sua fria esposa Cynthia, Ed Gantro, um adulto, é levado pelo furgão da Instituição Municipal, junto com seu filho, Tim, numa tentativa de provar a loucura daquele sistema.. Alias, o tom neutro que Philip K. Dick usa para narrar a história e a progressão "logica" de argumentos que permitiu a instituição do aborto pós-parto chega a tornar o conto de chocante a assustador - de maneira muito mais efetivas que muitos contos de horror, assim como o tom cometido com que Cynthia, a esposa de Best, comenta em engravidar apenas para realizar um aborto... é um mundo onde quem não tem como se defender, não tem uma chance - e isso por decisão da própria sociedade...como Ed Gantro e Ian Best admitem ao perceber que nunca poderiam fugir daquela realidade, fechando o livro com um final melancólico e que atinge o leitor... ao perceber que os absurdos do livro não residem com um força alheia do mundo, mas surge no próprio coração humano...
fonte: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1567

por: Conrado Tramontini
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