27 de julho de 2013

Apreciando um bom café.

O café bom por natureza / Coffee good by nature.
Sou um grande apreciador de café, por muitos motivos, o sabor sem dúvida é um deles, mas existem outros motivos - alguns bem óbvios - e eu gostaria de examiná-los aqui.

O mais involuntário de todos é que nasci na cidade de Garça, grande produtora de café da melhor qualidade. Claro que esse "vínculo" não se manifestou de imediato no momento do parto, não havia uma mamadeira com cafezinho fresquinho passado na hora.

Se bem que, se pensarmos, pode ter sido transmitido pelo leite materno e aí vem o segundo motivo: Minha mãe é uma grande admiradora de um café com leite, sempre presente no café da manhã e no da tarde. É um hábito quase que religioso.

Nasci em Garça, mas minha família se mudou de lá quando eu tinha 1 ano e sempre viajamos para lá para visitar meus avós e tios e nessas visitas um assunto sempre era presente: O café.

Meu avô materno tinha uma oficina e uma loja de ferragens, a "Instaladora Nosso Lar", cujo clientes em sua maioria eram fazendeiros principalmente de café. Ele produzia roscas e roldanas para transporte, esteiras para a secagem e mais um monte de coisas para a produção do café - hoje eu penso que poderia ter aprendido o ofício do meu avô, que seria uma experiência muito interessante, mas o mais perto disso foi quanto ele me ensinou alguns cálculos relacionados ao raio de engrenagens.

Ainda no âmbito sentimental, era o café preto, em copo pequeno - tipo requeijão - sobre a pia da cozinha que meu avô e meus tios Paulo e Vera carregavam, e a chaleira na cozinha amarela da casa de meus avós paternos.

Só o aspecto sentimental já daria motivos suficientes, mas existem também os fatores sociais, culturais, econômicos, sociais e fisiológicos associados ao café, muitas revoluções (mudanças para melhor) foram idealizadas em torno dessa bebida quente; muitos mercados e cidades - Garça e São Paulo inclusas - cresceram em torno dele; quando o consumimos, ocorre uma revolução em nosso corpo e em nossa mente, movidas por esse estimulante natural.

O café aproxima os amigos, como as caminhadas após almoço que fazíamos no trabalho. "O café é um evento" dizia o Alex Boullosa e o Baluz e lá iamos nós para uma rodada e conversa entre amigos. Também tinha a turma do café que era organizada pelo Nelson Quina. Nós preparavamos o nosso café também dentro do escritório e, apesar da turma, do cliente e do prédio serem outros, criamos uma nova turma do café.

Muitas vezes frase do Baluz e do Boulosa se repete e me leva a convidar os amigos como o Luis Paulo, o mineiro Matheus Pinheiro, o André Medella - que ainda estamos nos devendo - ao evento que é um cafezinho; ou a dividir com a Tânia - minha esposa - os fatos referentes ao hobby que se tornou essa bebida quente.

E voltamos ao início na lembrança de meus avós sempre que vou visitar meus pais ou meus sogros. que, sabedores desse meu costume, me recebem oferecendo o acolhedor cafezinho.

por: Conrado Tramontini

Mais sobre café:

SP Coffee Week

CBN Comida - O café nosso de todo dia
Livro: A história do café.
Livro: Uncommon Grounds
Revista Superinteressante: Cafeína, meu amor
Folha: Um cafezal no meio da cidade de São Paulo
A revolução nos cafés
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