1 de novembro de 2010

Sobre "O Grande Imitador" - Veja 01/11/2010

A Veja dessa semana trouxe uma matéria bastante criticada pela seu oportunismo, parcialidade e superficialidade. A matéria "O grande Imitador" relaciona a cópia de atitudes como uma homenagem ao original, o que sim, tem significado e exemplifica colocado o Lula como um dublê de Fidel Castro, dando 90% da matéria propositalmente somente nesse exemplo, os outros 10% ficam para "O Grande Ditador" de Charles Chapplin, onde ele copia Hittler. Acredito que não despropositalmente o segundo exemplo é Hittler e o título copia o nome do filme de Chapplin. Citar somente Lula e relacioná-lo com "o Grande Ditador" de Chapplin é a ruina, a mácula dessa matéria, que tem no fundo um assunto muito interessante a ser tratado, mas precisa de imparcialidade.

Aceito que a matéria de Veja tem a clara intenção de dizer que Lula copia Fidel e que o faz no momento mais oportuno. Porém, não se pode ignorar o núcleo da matéria que é sim a cópia da linguagem corporal que é feita diariamente por muitas e muitas pessoas, como também é feita por Serra, Collor, Obama como mostrado na crítica (também parcial e oportunamente superficial) no blog de Vanessa Lampert.

Existe uma coisa atrás de tudo isso que é o setor de comunicação, quem estuda (não é meu caso) propaganda, comunicação, fotografia e até política sabe muito bem do poder que isso tem. Da importância do gesto do dedo em riste a outro líder, da taça (ou da imagem) levantada no caso de Serra. Na inversão dos papeis de Lula, Fidel, Obama (que pode sim ter copiado Lula) e outros.

Na opinião de vocês, uma cena como a descrita a seguir, confere ou não poder?

"(...) aparece nas fotos oficiais falando com a maior tranquilidade a interlocutores russos, alemães, árabes, israelenses, africanos, como se dominasse o idioma deles. Fidel Castro fez desse um jogo de cena clássico de seu arsenal, pois, mesmo dependendo vitalmente das doações anuais bilionárias dos soviéticos para sua ilha não soçobrar, aparecia nas fotos como se ensinasse alguma coisa aos velhinhos do Kremlin"

Pergunto aos comunicadores: apesar do oportunismo inoportuno, da parcialidade e da falta de profundidade, a matéria (e a sua crítica agregando imagens de outros líderes) tem ou não uma ponta de razão?

Ontem mesmo estava assistindo ao canal Management TV uma máteria onde as empresas criam recursos sensitivos - como um supermercado que reproduz som de gaivotas na peixaria, ou um hotel que propaga odor de neve, montanha, folhas e dinheiro em seu ar condicionado - para passar impressões aos seus clientes.

Tudo isso tem a ver com imagem.

por: Conrado Tramontini
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