8 de julho de 2009

Rescue me.

Rescue me.  

Rescue me.
 (Conrado Tramontini)

Nos detalhes da manhã daquele sábado de aleluia, um azul perfeito dominava todo o céu sem nuvens, enquanto um vento gelado varria a planíce cortada pela rodovia. Era um céu de Brigadeiro, como é chamado pelos aviadores. Ótimo para voar.

O helicóptero pousou ali mesmo, no heliponto improvisado. As pás cortando o ar refletiam, com flashs, o Sol ainda em ascenção. Olhei para trás, ali estava meu carro, parado em um canto da Rodovia. Dois homens vinham da direção dele, enquanto um terceiro, vindo do helicóptero, veio nos buscar. Perguntou como eu estava. "Nada bem!" respondeu alguém ao meu lado. Lembro que eu estava indo para o trabalho. Apressado e atrasado.

Senti o frio daquela manhã cada vez mais forte. Realmente não estava nada bem. Uma aguda dor no corpo e vertigens. Já não sabia se quem rodava era eu ou as pás do helicóptero, enquanto entrei nele. Olhei outra vez para meu carro, destruído pelo impacto com o outro carro. Um bombeiro prestava os socorros ao outro motorista, enquanto caminhavam para a ambulância.

O mal-estar estava terrível. Sentia a cabeça pulsando a cada batida do coração, em um ritmo decrescente. Minhas pernas formigavam de forma absurda. O paramédico ajeitou o cobertor de alumínio para me aquecer. Eu desmaiei e outra vez, acordei com o zunido do desfribilador. Senti o cheiro de hospital vindo pela máscara de oxigênio e ouvia o rugido do Águia decolando em direção ao Clínicas.

Olhei outra vez em volta, vendo o rosto daqueles homens, que lutavam, para que outro homem resucitasse em um Domingo de Páscoa.


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No final de semana da Páscoa de 2009, um acidente parou a Rodovia Ayrton Senna, pouco tempo antes de eu passar por ali. A imagem dos bombeiros correndo para prestar socorro, o Águia descendo na Rodovia, as pessoas recebendo o socorro ainda na pista, o cobertor de alumínio, os carros retorcidos e depois o Águia sobrevoando a Barra Funda, onde eu estava, enquanto voltava do Hospital das Clínicas ficaram gravadas em minha memória. Com isso, ficou a vontade prestar uma homenagem a esses homens, que diariamente, partem para salver outras vidas, muitas vezes entregando a sua própria vida a isso.
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