24 de maio de 2009

Quinze minutos...

Tem dois assuntos sobre os quais, já tem algumas semanas, eu queria escrever.
O primeiro era criar o conto (se é que se pode chamar assim) para essa foto, que segue abaixo. Enquanto escrevia deixei ele tomar um rumo trágico, ao contrário do que eu queria, mas acho que foi o meu eu lírico ...
O segundo virá nos próximos dias ...
Quinze minutos
(Conrado Tramontini)
Quinze minutos, quinze míseros minutos foi o tempo que ela cochilou ao meu lado, me observando da cama, enquanto eu trabalhava. Nesse momento, ela transformou a necessidade humana de dormir e descansar em um martírio. Agora, a tua ausência em minha cama foi marcado por um vazio absurdo capaz de engolir toda a calma e o silêncio que preenchem meu quarto escuro, e desde então, não tem vinho que me permita encostar e dormir o sono dos justos.
Cada vez que fecho os olhos, encostado nessa maldita cama, que ainda guarda o seu perfume doce, faço um mergulho em um poço onde no fundo vê-se a imagem angelical daqueles olhos cerrados e a bochecha apertada contra o travesseiro e onde ainda ecoa a sua respiração suave, como se fosse essa respiração que trouxesse o oxigênio, e que sem ela, tudo sufoca. Dia-a-dia reviro a agonia da insônia em minha cama. Dia-a-dia, cada vez mais, esses quinze minutos se tornam minha prisão.
Meus olhos estão pesados e o pensamento distantes, nada mais consegue trazer de volta a sanidade do descanso. Vago em pé, olhando pela janela onde todas as luzes estão apagadas escuto ao longe a sua respiração torturando minha alma, se misturando a minha, fazendo a cidade encolher e expandir cada vez que ela inspira ou expira, fazendo minhas temporas pulsarem no mesmo ritmo, naqueles quinze minutos que o veneno levou, para curar esse martírio e permitir que eu durma novamente ...
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