20 de janeiro de 2009

O celular já era, Jaelson...

A história, conforme consta nos autos, é a seguinte:

Por volta das 11h30m, eu estava junto ao meio fio atendendo uma ligação no celular enquanto aguardava o ônibus no ponto localizado em frente ao prédio da Gazeta. Enquanto eu olhava em direção aos veículos que vinham sentido centro, um rapaz usou uma técnica que vem sendo comumente empregada na paulista, vindo de bicicleta na direção oposta e subtraiu o aparelho, seguindo pela calçada e rapidamente saindo de minha visão, antes que alguém pudesse tomar qualquer ação.
Uma pessoa que estava comigo o descreveu como trajando camiseta e calças, pele parda e com sombrancelhas proeminentes. Posteriormente liguei para o celular e um rapaz alegadamente chamado Jaelson atendeu ao telefone, mas cortou a ligação quando percebeu que estava falando com o dono do aparelho.


Sobre o Jaleson, essa figura agradável e simpática, porém muito apressada - nunca tem tempo pra uma conversa - ele é um rapaz inseguro e modesto, na referida ligação em momento nenhum ele admitiu que tinha ganho o celular de presente - ou, como se diz por aqui, roubado. Enquanto eu conversava com o pobre Jaelson, pensei se seria ele mais uma vítima da desigualdade social e do sistem a quem eu devo depositar toda minha compreensão e pena?, não sei, mas momentos antes um gari que trabalha para a prefeitura reclamou no mesmo teor sobre um bêbado que dormia no banco do ponto de ônibus enquanto o Gari varria a rua dignamente, Jaelson dizia ter comprado o aparelho e vacilava entre uma resposta e outra:

(diálogo ocorrido entre 24h10m e 24h30m)

-Posso falar com o Márcio?
-Não tem nenhum Márcio - disse o Jaelson
-Como não, esse celular é dele
-Não, esse celular é meu, eu comprei o celular
-Qual o número aí? - eu inquiri incerto sobre o número do Márcio
-Não sei - respondeu Jaelson, que ainda não tinha decorado o número do novo chip
-Esse não é um V3 prata?
-É preto!
-Preto porra nenhum ... vc não sabe nem a cor do seu celular seu babaca - disse eu, por incrível que pareça, em um tom calmo.
-Ah, o celular ... que cor que é?
-Prata! você nem conhece cor cara.
-Amigo, eu comprei esse celular - disse Jaelson ao viva voz enquanto o Medella rapidamente me lembrou do Awey
-não sou teu amigo - me soprou Medella
-Amigo o caralho, que eu não sou teu amigo!
E o Jaelson desligou dizendo que não queria falar comigo.

Depois dessa conversa, fiquei até com dó de bloquear o aparelho. Ele tinha levado meu V3, mas trouxe momentos de alegria.

O Medella ainda percebeu a tempo de tentar evitar, mas o Jaelson teve muitas variáveis ao lado dele nobre amigo. Mas agora já temos mais uma coisa para fazer, procurar Jaelsons por aí.

Depois eu descobri que o Jaelson na verdade, nada tem a ver com a história...

por: Conrado Tramontini
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