24 de abril de 2008

Tragédia

Especial que era, nasceu sabendo que viveria por um curto período. Era parte de sua condição.
Outra certeza que tinha, dessa vez por própria convicção, era que encerraria aquela vida de forma trágica e sofrida e, por isso, se esforçava ao máximo para evitar a dor e postergar o fim.
Evitou as ruas movimentadas fugindo de um atropelamento, mas evitou as ruas calmas pela visão da solidão. Fugiu do rio com medo de se afogar e da ponte, que apontava o impacto da queda. Não ficava ao Sol para não se queimar mas também não queria a chuva. Acima de tudo, evitava amar para não precisar sofrer.

Certa noite, enquanto dormia aninhado em sua cama, como fora previsto, a morte o levou de forma mais trágica possível.

Morreu sem ter vivido.
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