18 de fevereiro de 2008

Memento mori.


Adeus
Upload feito originalmente por conras
Uma vez escrevi aqui sobre a minha morte - algumas pessoas ficaram um pouco assustadas com isso - e expliquei que ali eu falava mais sobre a vida do que sobre o término dela. O ponto final de uma poesia, que sempre tem que acabar.

Existem algumas expressões que sempre vêem a minha cabeça. A primeira é o título desse post. "Memento mori". Uma expressão em latim que significa: "Lembra-te que és mortal". Um aviso, aos esquecidos, que um dia, finalmente você vai morrer - se tiver sorte. A outra expressão eu ouvi em um filme que assistia com meu pai, há algum tempo. Se não me engano era um western onde dois caras tentavam proteger sua terra, e durante uma ameaça um diz ao outro "Live free, die well", que significa "Viva livre, morra bem", ou então uma de Oscar Wilde diz que
"viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existem".

Essas frases falam sobre a vida, apesar de mencionar a morte, que é como o ponto final, elas falam da poesia que é a vida. Esse já é, para mim, um conceito antigo. Um estudo feito com frequência, como em "As vontades do Rei", ou, de forma mais oculta, em "Aqui começa meu 27o ano...", onde eu escancaro minhas vontades de viver uma vida plena, de não temer nenhuma batalha, mesmo que eu as perca, de não temer viver um grande amor, mesmo que não correspondido.

P.s. Eu queria dar mais sentido a todo esse post. Ser mais sucinto, claro e poético, mas as idéias estão completamente desordenadas, então vou apenas continuar despejando e tentando ajeitar aqui e ali.

Em um diálogo do filme "O reino" ouvi a melhor definição sobre isso, quando um advogado(?) Gideon se posiciona contra o envio de agentes do FBI à Arabia Saudita - para investigar um atentado terrorista - e ameaça o diretor do FBI: "Eu vou te enterrar" e é em torno da resposta abaixo que esse post se cria:

Você sabe, Westmoreland fez todos nós, oficiais, escrever nossos próprios obituários durante o Tet, quando nós acreditavamos que O Cong ia acabar com todos nós, bem ali. E, uma vez que tomamos consciência de que a vida é finita, a idéia de perdê-la não nos assusta mais. O fim vai chegar, não importa o quê, a única coisa que importa é como você vai querer partir, de pé ou de joelhos? Eu trouxe essa lição desse trabalho. Eu trabalho, sabendo que algum dia esse trabalho vai acabar, não importa o quê. Você deveria fazer o mesmo.


Por isso, encerro esse post - que fala mais sobre o conceito do que sobre a minha própria reflexão - escrevendo abaixo o meu próprio obituário e afirmando que minha vida segue apoiada sobre meus pilares.

Obituário

Torna-se finita, hoje, uma das mais belas poesias que tive a honra de conhecer. Ainda considerando-se distante dos grandes feitos, Conrado Brocco Tramontini, encerrou hoje sua mais importante obra. Por possuir um grande senso de auto-crítica - a qual infrinjo aqui -, não aceitava o fato de que simplesmente com sua inteligência, moral, bom humor e amor, tenha tocado a vida de tantas pessoas com quem conviveu.

Partidário da mudança em prol do bem comum, agia sobre os detalhes de diversas formas e em diversas áreas. Indiscutível, a importância da família, a amada esposa e o filho, sempre foram seu norte e tratava com o igual carinho e respeito as pessoas a sua volta. Em vida noticiou que a maior beleza que levava, além da família, como gostava de frisar, foram as ações pela conservação da natureza na África e nos oceanos.

Mas do que a dor de tê-lo perdido, fica a alegria de tê-lo conhecido.

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