27 de janeiro de 2008

T.I.A.

Nesse momento estou sentado em uma cadeira que tenta ser confortável, em frente a um computador. Ao meu lado minha cama espera a conclusão do texto, com um novo endredon de malha, comprado ontem por minha mãe, dentro de um apartamento, na badalada região de Perdizes, Vila Madalena e Pinheiros, não tenho certeza se é zona Oeste, mas é em São Paulo, a cidade mais rica do Brasil - classificado como terceiro mundo, mas que para mim, instalado aqui em casa, homem da classe média, é tudo muito diferente.

A realidade é que enquanto estou aqui escrevendo, não preciso ir muito longe, em uma favela aqui em SP ou no Rio ocorre um assassinato, um estouro de violência, no norte do país ou qualquer outro lugar do mundo alguém ainda trabalha como escravo ou alguma criança está sendo obrigada a se engajar numa luta armada que ela nem sabe o motivo, algum direito humano está sendo negligenciado, tudo isso numa disputa por poder ou dinheiro, enquanto eu escrevi essas palavras sobre uma unidade, por necessidade pessoal, desejo, ambição, sonho ... ou talvez por raiva, vergonha e desencanto.

Entenda que isso vai ocorrer as centenas ou milhares durante essa semana que vai começar. Pessoas vão sofrer, morrer ou pior, continuar vivas, na mão da ganância.

Entenda que enquanto você lê isso grupos armados estão em guerra com pessoas comuns.

A sensação do momento, o filme Tropa de Elite, mostrava um diálogo onde um policial pergunta, a um estudante, quem matou um traficante, e depois explica que foi o dinheiro que ele pagou por um baseado que matou aquele cara e que alimentou o tráfico.

O filme Diamante de Sangue, mostra que milhares de pessoas (adultos e criançãs) são vítimas de grupos rebeldes para traficar diamantes que são vendidos em exuberantes joalherias pelo mundo. A comparação feita entre dois filmes, mas que já é lugar comum em todo o canto - para quem se dá ao trabalho de prestar atenção, claro - foi feita para dizer que tudo o que pode ser vendido, pode ser, e muitas vezes é, conseguido violando os direitos das pessoas e que todos nós apenas ignoramos, desprezamos ou fazemos como o personagem do filme, Danny Archer, que quer lucrar, sem se importar que o país está todo dia em conflito, que milhares morrem por causa dos diamantes que ele trafica. O seu consolo fica na expressão T.I.A., ou This is Africa (Essa é a Africa).

Solomon, o negro que luta para achar o filho e retirá-lo do grupo rebelde diz, eu entendo vocês brancos fazerem isso, mas não entendo meu próprio povo lutar contra nós mesmos. Se esquecermos as etnias, a frase faz mais sentido.

Marfin, ouro, petróleo e diamante ...

A minha raiva fica por assistir a isso passivamente e por saber que isso ainda existe. Por querer ajudar e não ajudar. Querer ser mais do que alguém que trabalha honestamente para fazer dinheiro e ficar no conforto de casa. Mas para mim não é só "This is" qualquer coisa ... o mínimo que posso e que vou fazer é escrever aqui, onde poucos amigos lêem, mas sem dúvida, onde eu sou quem eu sou.

Ainda não sei se aqui é Zona Oeste de São Paulo - é quase certeza que é, mas nunca confirmei - isso reflete a minha desatenção por essa tipo de informação, ou a minha vontade de estar por todo o mundo e eu vou estar.

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