26 de setembro de 2007

As vontades do rei.

Hoje tenho conhecimento das respostas de minhas perguntas mais imediatas. Sobre quem sou e o que vou cobrar de mim no fim dessa vida.

Vou viajar, viajar o mundo. Arder sob o escaldante sol africano e fazer fotos sobre a fauna. Partir de um porto na Bahia e registrar os grandes mamíferos e depois me ralar em penhascos carregando quilos de equipamentos nas costas. Buscar e realizar ações ambientais e sociais. Vou prometer tudo isso e fazer apenas um terço.

Vou ser acordado as 2h da manhã por um amigo, em Londres, que queria só mandar um abraço, me divertir com outro que se meteu numa espelunca em Salvador. Viajar com amigos para a praia.

Sorrir para aquela criança sentada sozinha em uma mesa, fazendo um desenho, que me faz lembrar de mim mesmo, e deixar os olhos encher de água. E, por eu ser exageradamente sentimental, eles vão se encher assim todas as outras vezes que eu me lembrar do garoto e você nem vai saber disso.

Vou chegar em casa desarrumado, após um dia terrível no trabalho e encontrar você esparramada no sofá já de camisola e com um sorrisinho sacana caçoar da minha barba enquanto mordisca meu queixo. Você que vai reclamar do meu omelete enquanto ainda não saiu da cama e me cobrar de muitas coisas. Você vai fazer o dia valer enquanto fica cada vez mais irritada com as minhas provocações. Vou odiar suas crises e ainda sim, bobo que eu sou, vou ficar todo dia apaixonado.

Vamos cozinhar juntos - digo, você vai cozinhar, enquanto eu bebo cerveja, faço fofocas que fazem você rir, beijo seu ombro e faço mulecagens - para almoços para nossos amigos.

Vou pedir desculpas e me arrepender centenas de vezes e te desculpar outra centena, e bobos que somos, vamos ficar todos os dias apaixonados.

Vou viver plenamente a minha vida, vou tentar ser quem meu cachorro sempre pensou que eu fosse - e falhar miseravelmente - e ele ainda vai ficar no sofá dormindo comigo, acreditando que sou aquele cara, enquanto você e as crianças foram viajar...

Sim, teremos filhos, e para nosso desespero, eles serão a personificação da nossa personalidade - para ser exato serão como Calvin e Haroldo!

Por Conrado Brocco Tramontini.