10 de abril de 2007

Confortavelmente Entorpecido.

Música. Frequentemente é a expressão do ser humano e normalmente serve de voz para quem não consegue falar. Eu que muito falo, nesse momento não estou mudo, por isso encontrei 2 músicas para falar por mim. Da primeira trago apenas a tradução, da segunda eu mexi e remoldei ... tentei dar um pouco do meu sentimento para essa música que é absurda.

Angústia
(Sorrow - Pink Floyd)


O doce cheiro de uma enorme angústia paira-se na terra
Plumas de fumaça ascendem e fundem-se em um céu plúmbeo
Um homem encontra-se em sonhos de campos e rios verdes
Mas acorda em uma manhã sem razão para despertar
Ele é assombrado pela memória de um paraíso perdido
Em sua juventude ou um sonho, ele não pode ser preciso
Ele está acorrentado eternamente a um mundo que se parte
Não é o bastante, não é o bastante
Seu sangue congelado e coalhado assustado
Seus joelhos tremem e oferecem o caminho na noite
Suas mãos enfraqueceram-se na hora da verdade
Seus passos vacilaram
Um mundo, uma alma
Tempos passam, rios correm
E ele fala ao rio de amores e dedicações perdidas
E o silêncio responde a estes convites rodopiantes.
Obscuro fluxo perturbado a um mar oleoso
Severa intimação de o que é ser.
Há um incessável vento que sopra esta noite
E há poeira em meus olhos, que cega minha vista
E o silêncio que fala tanto mais ruidosamente que palavras
de promessas quebradas
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Confortavelmente entorpecido
(Comfortably Numb - Pink Floyd)


A rua estava escura e a casa apagada quando ele chegou à porta.
--Olá? há alguém aí? acene se você puder me ouvir - perguntou ele, com a voz baixa e rouca, metade do corpo passando pela porta.
--Há alguém em casa? Vamos! ouvi dizer que você está mal ... - perguntou outra vez, tateando a sala escura e fria - Bom, eu posso diminuir sua dor. Te deixar bem outra vez.
--Relaxe! Eu preciso de algumas informações ... primeiro. Apenas coisas básicas. Você pode me mostrar onde dói? - ele perguntou entrando no quarto. Não conseguia enxergar muito e ouvia apenas uma respiração ofegante.
--Não há dor - disse uma voz ao seu lado -você está desaparecendo. A fumaça distante, de um navio no horizonte. Você está vindo através das ondas.
--Seus lábios se mexem, mas eu não consigo ouvir o que você diz.
Continuando, ela disse firme e sorrindo por entre a dor:
--Quando eu era criança eu tive uma febre, minhas mãos pareciam dois balões - sorriu suavemente. E agora eu tenho essa sensação novamente. Eu não consigo explicar, você não entenderia.
Ele se sentou ao lado dela no chão frio e úmido.
--Não é assim que eu sou. Ahhhhhh - ela grunhiu - ... eu fiquei confortavelmente entorpecido.
--Tudo bem, será apenas uma picada - a voz pesada e rouca se virou e se aproximou dela - não haverá mais ...
--Aaaaaahhhhh! ela gritou numa voz aguda.
--Você pode sentir um mal estar. Consegue se levantar? - Segurou a mão dela e a puxou para cima - eu acredito que esteja funcionando. Bom...
--Isso manterá você em cena. Vamos, é hora de partir! - ele continuou.


Aquelas palavras ainda martelavam na cabeça dele:

(Não há dor, você está desaparecendo, A fumaça distante, de um navio no horizonte. Você está vindo pelas ondas. Seus lábios se mexem, mas eu não consigo ouvir o que você diz).

--Quando eu era criança eu tive uma visão fugaz, além do meu canto de olho - Ela repetiu, embriagada em seu sofrimento.

--Eu me virei para olhar, mas já tinha partido. Eu não consigo tocá-la agora ... a criança cresceu e o sonho se foi. Eu fiquei confortavelmente entorpecido.
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