19 de março de 2007

300 ... outra vez.

Alguns intelectuais iranianos estão fazendo um alvoroço, dizendo que o filme 300 é anti-iraniano.

O filme vem causando polêmica pois dizem que é um "ataque à cultura iraniana", o jornal iraniano "Ayende-No" reclama que o filme mostra "os iranianos como demônios sem cultura, que só pensam em atacar outras nações e matar pessoas."


Freud dizia que quando Paulo fala de Pedro, Paulo fala mais de Paulo do que de Pedro.

Acho que é bem essa a situação. Dizer que o filme é anti-iraniano é mais expor um sentimento próprio. Primeiro que é um filme sobre uma HQ baseada em um fato.

Ou seja, o filme já não pretende relatar a verdade.
Segundo, Xerxes era um rei querendo construir um império. A Grécia era uma nação e queria o império dela.

Isso é, e era, normal. O uso da força era comum na antiguidade. Vários relatos daquela época citam desmembramentos, empalamentos e estupros no cotidiano das Guerras. Isso não faz de Xerxes uma figura isolada.

Xerxes me parece que irá lembrar mais os americanos, deles mesmo, do que dos iranianos.

Por fim, segue a visão do Santoro, publicada no Terra.

Como foi fazer 300?
Foi muito intensa essa experiência de trabalhar sem nada em volta. Era simplesmente o ator, o texto, as emoções e o universo imaginário. Foi uma experiência virtual. (...) O que tem de particular na experiência de 300 é o fato de eu estar trabalhando com o universo da fantasia, que é a história em quadrinho misturada com mitologia com uma ligeira base histórica, porque fazendo uma pesquisa para saber o que historicamente aconteceu, percebi que não poderia usar aquilo. Como o Xerxes do 300 era uma visão particular do Frank Miller, me aproximei mais desse personagem como um arquétipo e uma representação. Esse personagem tem elementos muito interessantes. Ele é uma representação do ego, da sedução, da vaidade, do poder. Tentei trabalhar trazendo uma humanidade para ele, humanizando o personagem.

A visão do Zack Snyder é a de que Xerxes não é exatamente o vilão do filme. Você concorda com ele?
Eu não acho que Xerxes é o vilão. O vilão é o cara que tentou estuprar a mulher (personagem de Dominic West). Xerxes é esquisito, mas ele é gente boa. Não estou dizendo que ele é bom, não é uma questão de ser bom ou ser ruim. Eu só não acho que ele seria o vilão no estereótipo do vilão. No exterior, muitos jornalistas vinham me dizer isso. Isso é muito interessante. Xerxes tem uma força. Ele é esse personagem mitológico como existem outros personagens mitológicos no filme. (...) No set, andava pra cima e pra baixo com a história em quadrinhos para me guiar para representá-lo.
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