7 de fevereiro de 2007

Soldado

Eu estava com o rabo gelado de ficar sentado naquela neve.

Meus outros companheiros de pelotão estavam sentindo o mesmo.

-Diabos, quanto tempo mais teremos que ficar aqui? - um soldado perguntou.

Sabiamos que não levaria muito tempo mais. Podiamos ver na base da colina as tropas inimigas avançando. 3 pelotões acompanhando de unidades da infantaria motorizada e nós eramos apenas 7 que sobraram de unidades diferentes. Estavamos ali a alguns dias, defendendo aquela ponte, quando soubemos do ataque inimigo.

Nosso país estava sobre ataque. O cenário europeu estava de cabeça para baixo com a segunda guerra. Itália, Alemanha, Rússia, França, Inglaterra e agora os Estados Unidos e o Canadá vieram para a festa. Sabiamos que isso ia acontecer. O dia em que nosso povo, já fraco, humilhado, derrotado e marginalizado de batalhas passadas, seria novamente ameaçado.

Era por isso que estavamos alí, não era? não por nós, mas pelo nosso povo, para evitar que as forças inimigas novamente nos sobrepujasse. Estavamos defendendo NOSSA terra. Nossos filhos e antepassados. Não abaixariamos a cabeça ao poder do inimigo. Não era isso que ouviamos de nossos líderes?

Eu mesmo vi minha mãe e minha irmã sofrendo, passando fome e sendo uma prisioneira em nosso país. Nossa terra ... nossa casa.

Fomos vivendo como animais, até que encontramos força para nos reerguer e agora, não nos rastejariamos aos pés desses putos. Todos os 7 eram da mesma opinião.

A Rússia tem dois generais, Janeiro e Fevereiro e eles não falham diziam os líderes. Pois bem, era final de Janeiro ... o tal general tava mostrando serviço.

Penso como a história nos veria e como mostraria o horror que eles, nossos inimigos, inflingiram aos nossos. Mostraria os heróis que fomos lutando pelo nosso país, como fomos convocados desde o nosso treinamento? Como nos alistamos ainda jovens, como vimos nossos pais passando fome e morrendo na rua, sendo explorado pela minoria, como choravamos sem comida, mas ainda sim nos alistamos, estudamos nossa história, conhecemos nossos inimigos, treinavamos dia e noite para prosperar e conhecemos o gosto da prosperidade. Tinhamos bons líderes eles se empenhavam por nós, amava nosso País e nosso povo. Relutou por nos colocar naquela guerra. E agora nos avisava sobre como o inimigo invadia novamente nossa casa para nos aprisionar.

Mostraria também a selvageria com que eles combatiam? Como dominaram outros países apenas por poder?

-Camaradas – disse o mais velho – está na hora. Sabemos que essa batalha é perdida, mas não vou abaixar meu rabo para esses putos. Não vou deixar que levem o que é do nosso povo sem derramar o sangue sobre essa neve – ele continuou bravateando em susurros.

Avançamos colina abaixo por entre as árvores, flanqueando a estrada aberta pelos outros tanques. 4 na esquerda, 3 na direita. Estavamos esperando os tanques chegarem até as minas. Assim que elas explodissem levando os soldados da vanguarda, iriamos emboscar o restante.

Assim foi feito. As metralhadoras matraqueavam enquanto assustados os soldados procuravam abrigos. Lancei dois “esmaga tomate” sobre eles. Quando ouvi o clique metálico do meu rifle avisando que meu último pente fora embora. Avancei como um guerreiro medieval. Acertei um deles nas costas e o estrangulei. Um segundo disparou a pistola em mim. Ainda ouvia o barulho metálico e a correria a neve formava poças sobre os pés dos soldados.

No fim da batalha, acredito que os sete já haviam caído e um bocado deles também. Um médico russo veio ao meu encontro com compaixão e ofereceu ajuda.

Pedi apenas morfina e agradeci com um “Danke” em alemão, minha língua pátria.
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